Confissões de Adolescente
english mobile14 de agosto de 2008
Minha adolescência foi, por enquanto, a época mais marcante e que mais deixou saudade na minha vida. Foram anos de novas experiências, frustrações, desilusões, conflitos e alegrias. Também foram os anos em que mais tive dúvidas em relação ao que fazer e que ainda hoje reflito sobre como eu seria hoje se tivesse escolhido um ou outro caminho a seguir.
Estudei música durante dez anos, seguindo alguns exemplos da família. Sonhava em ser pianista, descarregar todo tipo de emoção em forma de melodias, porém nestes dez anos passei da percussão para a flauta, da flauta para o piano, do piano para o violino e, na tão desejada rebeldia da adolescência, da noite para o dia, abandei a música.
No esporte, sempre uma referência. Inúmeros primeiros lugares em competições de resistência, me sentia livre correndo quatro mil metros sem ninguém à minha frente, só o vento soprando contra o rosto respingando suor pela testa até o pescoço, e depois um mimo qualquer, troféu ou medalha, muitas vezes deixados na lixeira mais próxima ou no fundo do armário da sala. Depois de perder o ônibus da equipe para uma competição no interior, numa manhã fria e chuvosa, não quis mais correr. E lembrar das palavras do treinador "se você fosse traria no mínimo cinco medalhas", foi mais um motivo para largar o esporte.
Na escola, era o orgulho de qualquer time nos jogos escolares. Eterno camisa sete não via muitos desafios nos esportes que praticava, às vezes voley, em outros basquete, me arriscava no futebol também quando surgiam oportunidades mas não tinha alma no que fazia, apenas o mesmo desejo de vencer, sempre.
Influenciado por amigos fiz parte da "Guarda Mirim Municipal". Lembro até hoje do teste para ser aceito, cantar o Hino Nacional e o Hino à Bandeira. Enquanto vinte e poucos candidatos tentavam decorar os hinos distribuídos em um sulfite "chamequinho", eu me preparava para fazer a apresentação ao diretor da guarda, desta vez em segundo lugar, aguardando um outro candidato que disse minutos antes que estava alí para agradar seu pai, fazer sua apresentação. Fui aceito em primeiro lugar mais uma vez, ele errou o Hino à Bandeira e foi aceito em segundo. Pouco tempo depois, e com muita influência negativa de familiares abandonei a guarda. Não os culpo, pois acho que cedo ou tarde acabaria desistindo por conta própria.
Enfim, reflexões fazem com que consigamos aprender mais sobre nós mesmos, mas isso só acontece depois de muito amadurecimento. Compartilhar momentos como estes também não é nada fácil, sempre deixamos passar alguma coisa, muitas vezes somos traídos pela nossa memória e maiores detalhes acabam sendo esquecidos.
Feliz com as realizações e conquistas de hoje, mas sempre imaginando como seria se tivesse seguido algum dos poucos caminhos que coloquei aqui.
Forte abraço

















4 comentários:
Com a leitura do texto surgiu na memória aquele tempo de infância, a criançada jogando bola pelas ruas, rodando pião, bolinha de gude, pipa e tantas outras coisas..o sonho de se tornar um jogador de futebol, piloto, astronauta, médico, bombeiro...sempre pensando em ajudar, uma criança inocente que não tinha idéia de como era o mundo de verdade. O que importa depois de tudo isso é poder lembrar de tudo isso e ter a certeza que foi uma infância repleta de sonhos e que entre tantos um deles se tornou realidade.."viver para contar".
Não tenho saudade de absolutamente nada...tenho lembranças boas a ruins, mas mesmo se tivesse uma máquina do tempo não voltaria. Jamais.
Bjs
Obrigada pela visita
Oi, meu nome é Rafael Montoni, sou psicólogo e estou trabalhando com uma equipe q lida com adolescentes em conflito com a lei.
Estou procurando textos q falem um pouco dessa nostalgia q a adolescência provoca, para q a equipe relembre as principais dificuldades, os sonhos e as expectativas q temos qdo vivemos essa fase, e assim, aproximá-los dos jovens.
Gostaria de utilizar um trecho do seu post nessa atividade, creditando a você, claro.
Você poderia responder em rafaelmontoni@uol.com.br? Caso concorde, por favor, já me diga neste mail de q forma quer q eu credite.
Obrigado!
Pessoal, desculpem a demora em responder aos comentários.
Agradeço a visita de todos.
Rafael, será um imenso prazer. Entrarei em contato.
Forte abraço Juninho, Estava Perdida no Mar e Rafael Montoni.
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