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Memória Olímpica Beijing 2008

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23 de agosto de 2008

O maior evento do mundo está chegando ao seu final. A maior Olimpíada de todos os tempos nos proporcionou muitos momentos tristes e algumas alegrias que compensaram cada segundo em frente à televisão ou acompanhando as notícias pela internet. Claro que a maioria destes momentos vão passar batidos por aqui, pois não acompanhei as competições diariamente, mas o pouco que acompanhei estarão presentes neste artigo à medida que eu for lembrando.
Nesta Olimpíada eu chorei sempre que assistia a alguma cerimônia de premiação onde o Brasil estava no pódio, assim como também chorei quando perdíamos a oportunidade de presenciar tal acontecimento. Com certeza tanto eu quanto milhões de outros brasileiros choraram junto com o Cielo na consquista da nossa primeira medalha de ouro, assim como choramos ao ver a reação do Diego Hipólito após sua queda na final do solo. Outro momento marcante foram as lágrimas do judoca Eduardo, pedindo perdão ao seu pai e à sua mãe por sua derrota, mais um dos diversos fatos que faz cair por terra as afirmações de quem insiste em dizer que nossos brasileiros foram fazer turismo em Pequim.
Peço desculpas a meu pai e minha mãe por não ter sido competente o suficiente para derrubar os adversários
Inesquecível também a conquista da medalha de ouro no vôley feminino. Com uma campanha sensacional Fofão, Mari, Paula, Fabi e companhia deram show em Pequim e sagraram-se campeãs olímpicas perdendo um único set em toda a competição, na final contra os Estados Unidos. Fez história Zé Roberto, o técnico, sendo o único treinador do mundo com título olímpico tanto no masculino quanto no feminino. Fez história Fofão, que se despede da seleção depois de participar de cinco olimpíadas. Depois de Atenas, onde a seleção perdeu inacreditavelmente para a Rússia de virada na semifinal, esta conquista foi mais do que merecida e com certeza será uma das mais comemoradas dessa geração do vôlei. 

Quando falando do que eu vi, não posso deixar de comentar o espetáculo Usain Bolt. Três provas, três medalhas de ouro e três recordes mundiais quebrados, fiquei com a certeza de que os americanos tiveram a mesma reação que nós brasileiros tivemos quando a seleção do Dunga perdeu para a Argentina, inacreditável. Das provas que participou e ganhou, o que mais marcou foram os intermináveis 9,72 segundos de 90 mil bocas abertas no Ninho de Pássaros e outras bilhões ao redor do mundo presenciando o  inexplicável homem mais veloz do mundo. Ainda falando da Jamaica, que fez do Ninho de Pássaros sua nova morada, marcou também a prova dos cem metros feminino, onde as três medalhas foram conquistadas pelas jamaicanas mais velozes do mundo. Aposto que o americano mais pessimista nunca imaginou tal soberania de um país como a Jamaica sobre seus corredores.
Foi lindo de ver  Maurren saltando para a medalha de ouro no salto em distância, provando para o mundo todo que o que fizeram com ela no passado foi errado. Um exemplo de superação, perseverança, coragem e competência,  e um tapa na cara dos que desacreditaram da sua capacidade de dar a volta por cima. Assisti a prova pela SporTV e chorei com o Robson Caetano, que além de se emocionar, abandonou a cabine de transmissão e foi até a lateral da pista onde Maurren estava comemorando para abraçá-la e parabenizá-la pelo feito histórico. A primeira medalha de ouro em esportes individuais conquistada por uma mulher em toda a história do país em jogos olímpicos.
O futebol da seleção masculina não merece destaques (fora Dunga), por outro lado, o futebol da seleção feminina emocionou, e muito. Tanto nas vitórias ao longo da competição, quanto na derradeira derrota na final para os Estados Unidos. Nenhum consolo bastava para aliviar a dor da perda do tão sonhado ouro olímpico no futebol, no momento do apito final nenhuma palavra conseguiria descrever o que Marta e Cristiane estariam sentindo naquele momento.

Fiquei pasmo quando vi o cubano Angel Valodia com seu pé esquerdo acertar em cheio o rosto do juiz de sua luta, que valia medalha de bronze. Faltavam sete segundos para o fim da luta que daria a medalha ao cubano, quando o mesmo sentiu uma lesão no pé e parou para atendimento. No taekwondo, o atleta tem um minuto para ser atendido antes de ser desclassificado. Pelas regras, o árbitro deve sinalizar quando o tempo está acabando, mas isto não aconteceu e o cubano foi desclassificado automaticamente quando soou  o sinal de um minuto. Indignado com a decisão partiu pra cima do árbitro, que sem reação não conseguiu desviar do golpe que fez sua boca sangrar. Não contente com o feito, ainda deu um soco em outro juiz que estava tentando conter o atleta. Angel Valodia Matos e seu técnico foram banidos de todas as competições internacionais, instantes após a luta, fim trágico de carreira.

Dentre todos os personagens que fizeram história em Pequim, nenhum deles se compara a Michael Phelps. Hoje pode-se até arriscar a dizer que jamais algum atleta irá bater o recorde de vitórias em Olimpíadas, após as medalhas conquistadas por Phelps, e vale lembrar que em 2012 este fenômeno da natação terá apenas 27 anos de idade. Em Pequim, Phelps mais uma vez entrou para a história do esporte  participando de oito provas, subindo ao lugar mais alto do pódio oito vezes e, quebrando sete recordes mundiais. Desde que me entendo por gente, nunca havia presenciado tal acontecimento em nenhum esporte que fosse, mas tanto os acontecimentos na piscina de Atenas quanto os na piscina do Cubo D'água ficarão na lembrança por muito tempo.
Impressioante também a China na história olímpica, desbancando a soberania americana na conquista de medalhas. Sempre quando falamos de ranking olímpico logo vem os Estados Unidos na memória em primeiro lugar. A evolução do esporte na China é exemplo a ser seguido por qualquer país. 12 anos atrás em Atlanta, os chineses comemoravam a conquista de 50 medalhas, sendo 16 delas de ouro. O avanço absurdo em relação ao esporte no país até os dias atuais é tão grande que enquanto estou escrevendo vejo a China em primeiro lugar no ranking com 96 medalhas sendo 49 de ouro, uma medalha a menos do que todas as medalhas conquistadas em Atlanta. Sonho meu, mas quem sabe isso não venha a acontecer no Brasil daqui uns ..... anos.
Enfim, entre muitos momentos marcantes nesta Olimpíada estes são alguns dos que eu pude acompanhar pela internet e pela televisão. Com certeza foram momentos mágicos que deixarão saudade, tanto os alegres quanto os tristes. Talvez até mais os tristes, mesmo porque eu sempre achei mais fácil recordar de lágrimas do que de sorrisos.
É capaz que eu atualize este artigo à medida que me lembrar de mais coisas, mas se você leu até aqui também deve ter se lembrado de vários momentos olímpicos fantásticos dos jogos olímpicos de Pequim. Então, já que leu, aproveite para comentar e dizer quais foram os momentos que mais  te emocionaram.
Forte abraço.

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