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Cada um com seu cada um

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25 de março de 2009

Havia um tempo em que eu saía na rua para soltar pipa e via os vizinhos, principalmente os de mais idade, sentados na calçada jogando conversa fora. Aquele papo informal, uma roda de amigos falando sobre qualquer assunto que fosse mencionado.
Aos finais de semana ensolarados de janeiro, na tão esperada férias escolar, eu e meus amigos pedíamos esfihas à noite e ficávamos sentados na varanda da minha antiga casa, conversando sobre as pipas, combinando horário para as matinês da extinta Twists, relembrando o que aconteceu na escola durante a semana, trocando "tazos", enfim, interagindo de forma natural e espontânea. Nesse tempo, com minha mãe no ônibus, no trem ou no metrô, lembro bem que as pessoas falavam sem parar. Haviam intermináveis assuntos para serem debatidos e não faltava argumento para começar uma conversa com quem quer que fosse, existia de fato diálogos.

Hoje me pergunto, o que tanto mudou? Ou às vezes, de quem é a culpa?
Na rua onde eu morava não se vê mais crianças correndo, as pipas que tomavam conta dos céus em dias quentes simplesmente desapareceram. Os idosos em suas cadeiras de praia conversando em tardes ensolaradas ou noites quentes de verão onde ficar em casa é a pior coisa a se fazer, morreram ou estão quase lá. Não se vê mais jovens (como eu) lavando seus carros no sábado de manhã, com o som no último volume. Hoje, em qualquer transporte coletivo as vozes que se ouviam anos atrás foram substituidas pelos ruídos dos fones de ouvido ou pela leitura de um livro qualquer.

As pessoas não conversam como antes, casais no trem ao invés de conversarem, ouvem a mesma canção compartilhando o fone de ouvido do mp3. Em uma das vezes prestei atenção em um casal, nenhuma palavra depois de quatro estações, apenas alguns "selinhos" e um breve sorriso que logo desaparecia e os olhares se perdiam em algum ponto em lugar algum.
No ônibus pela manhã, rostos abatidos, cabeças encostadas nas janelas, olhares perdidos e muitos fones de ouvido.
Pais com seus filhos, andando de mãos dadas pela rua sem trocar idéias, cada um prestando atenção em uma coisa diferente e ambos não se dando atenção.

Nem sei o porque desta reflexão, o que eu sei de fato é que... Não entendo mais o mundo em que vivo, e talvez eu nem queira mesmo entender...



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